Visual Arts
Eu crio objetos que capturam a essência dos momentos fugazes entre o pensamento e o sentimento, aquele espaço intermediário onde eu registro as formas e cores. Esse processo criativo gera uma linguagem visual que transcende as emoções, a racionalidade e as normas socioculturais que frequentemente nos aprisionam em estereótipos.
RABEAR/TWITCHING
LUMINA GALERIA | 12 de junho a 12 de setembro de 2026 (encerrada durante o mês de agosto).
Exposição na Lumina Galeria, em dupla com o fotógrafo João Mariano até 12 de setembro, terminando com uma última semana dedicada exclusivamente à obra de Luísa Pacheco. A apresentação da obra da artista tem curadoria de Rute Reimão.
O mundo respira nesse intervalo entre dissolução e nascimento
A exposição Rabear/ Twitching, de Luísa Pacheco, apresenta uma paisagem situada num território de transição onde as fronteiras que organizam a compreensão do mundo natural se tornam instáveis e permeáveis. Entre vestígio e projeção, preservação e transformação, as esculturas convocam um universo em que a vida persiste através da mutação e em que a própria ideia de natureza se encontra em permanente deslocação. [Ler mais]
As obras evocam organismos marinhos fossilizados, estruturas vegetais ressequidas, fragmentos minerais e corpos híbridos que parecem habitar um tempo suspenso. Não pertencem inteiramente ao passado nem ao futuro. Surgem como presenças interrompidas entre estados de existência, como se fossem testemunhos de um ecossistema em desaparecimento e simultaneamente indícios de formas de vida ainda por emergir.
A materialidade das peças reforça essa ambiguidade. Superfícies calcificadas, texturas pétreas e processos de sedimentação e erosão acumulam camadas de tempo distintas. Cada forma parece conter a memória de uma transformação contínua, revelando a matéria como arquivo de mutações sucessivas. Neste contexto, a preservação deixa de significar permanência. Conservar passa também a ser transformar, e a decomposição afirma-se como continuidade.
É neste espaço de instabilidade que surgem formas cuja identidade escapa a qualquer classificação definitiva. Estruturas animais e vegetais fundem se com formas que sugerem sistemas artificiais, inteligências emergentes ou mecanismos adaptativos. As esculturas habitam um domínio em que a distinção entre organismo e tecnologia perde nitidez, dando lugar a configurações híbridas construídas através da contaminação, da interdependência e da simbiose.
A exposição propõe assim uma reflexão sobre a persistência das categorias que historicamente separaram o natural do artificial, o vivo do inerte e o biológico do tecnológico. As obras não apresentam um cenário distópico fechado nem uma visão futurista conclusiva. Propõem antes um campo especulativo onde sobrevivência e adaptação se tornam formas de linguagem.
A natureza surge não como origem estável, mas como condição em permanente reconstrução. As formas apresentadas revelam um mundo em que a vida já não depende da pureza das espécies ou da estabilidade das identidades, mas da capacidade de estabelecer relações, incorporar diferenças e responder à transformação.
Entre memória e invenção, ruína e emergência, Rabear/ Twitching constrói uma ecologia especulativa onde cada corpo funciona como lugar de negociação entre múltiplas temporalidades e modos de existência. O que se apresenta não são organismos concluídos, mas estruturas em evolução, sistemas transitórios que ensaiam novas possibilidades de coexistência.
Neste cenário, a questão do que permanece natural deixa de admitir uma resposta fixa. A exposição sugere que, num mundo profundamente interligado e tecnologicamente mediado, a vida se define menos pela origem do que pela capacidade de se transformar.
É nesse espaço de incerteza, entre o que desaparece e o que ainda está por surgir, que se afirma a sua dimensão crítica e poética.
Rute Reimão
Metamorphose Urbana
SEE GALERIE | 15 a 21 de junho de 2026
Exposição na SEE Galerie, em Paris, integrada no projeto Lisboa → Paris, um diálogo artístico entre duas capitais. Uma exposição coletiva de artistas portugueses e franceses.
Entre organismo e máquina, natureza e tecnologia, esta escultura apresenta uma entidade em permanente transformação. Ramos, formas vegetais, materiais sintéticos e estruturas híbridas coexistem como fragmentos de um ecossistema futuro, onde a adaptação substitui a pureza e a simbiose se torna uma condição de sobrevivência.
A obra reflete sobre um mundo moldado pelas crises ambientais e pela aceleração tecnológica, imaginando formas de vida pós-fronteiras, instáveis, mutáveis e em constante evolução. Preservada como um espécime ou apresentada como um protótipo em desenvolvimento, desafia as categorias herdadas através das quais compreendemos a natureza, a identidade e o próprio conceito de vida.
Suspensa entre a preservação e a metamorfose, a memória e a invenção, o orgânico e o artificial, Hybrid Survival Form propõe uma visão especulativa da existência num mundo onde a sobrevivência depende não da separação, mas da interligação e da transformação.Between organism and machine, nature and technology, this sculpture presents an entity in a state of perpetual transformation. Branches, vegetal forms, synthetic materials, and hybrid structures coexist as fragments of a future ecosystem, where adaptation replaces purity and symbiosis becomes a condition for survival.
The work reflects on a world shaped by environmental crises and technological acceleration, imagining post-boundary life forms that are unstable, mutable, and continuously evolving.
Preserved like a specimen or displayed as a prototype in development, the piece challenges the inherited categories through which we understand nature, identity, and the very concept of life itself.
Suspended between preservation and metamorphosis, memory and invention, the organic and the artificial, Hybrid Survival Form
proposes a speculative vision of existence in a world where survival depends not on separation, but on interconnection and transformation.
Territórios em Relação
Acervo Santa Maria Maior | Exposição Coletiva
As obras Getting Out Solo e Irrelevant Happening 1 foram apresentadas no âmbito da exposição coletiva Territórios em Relação.
HERE IS NO LONGER HERE
Conforme embarcamos na exploração dos direitos Queer e de gênero, vemo-nos imersos na intricada teia das imposições e restrições socioculturais. Dentro deste contexto instigante, voltamos nosso olhar para a presença do erótico, não como uma força que impulsiona identidade e ação, mas como um espelho que reflete o seu significado dentro de cada indivíduo e na sociedade como um todo.
Examino o complexo domínio dos impulsos, as pressões incansáveis de conformidade com as noções estabelecidas de feminilidade e suas representações icônicas como determinantes de gênero. Na própria ideia de posse, do poder transformador de visuais e aparências, e a desconcertante mercantilização desta identidade multifacetada. É uma forma de vida onde a feminilidade é tanto uma mercadoria quanto uma moeda, mas na fuga dessas normas convencionais, podemos descobrir caminhos e limitações. Essa distopia pinta uma imagem vívida de convenções que nos sufocam com seus rótulos e comportamentos limitantes, sempre que se impõe um rótulo.
Na minha jornada criativa, eu crio objetos que capturam a própria essência desses momentos fugazes suspensos entre pensamento e sentimento – o espaço intermediário onde eu meticulosamente documento formas e cores. Esse processo artístico dá à luz uma linguagem visual que quer transcender meras emoções e racionalidade, libertando-nos das correntes das normas socioculturais que frequentemente aprisionam-nos em estereótipos sufocantes.
Trata-se do ato de assumir uma pose, da pressão onipresente de conformidade e da mercantilização da própria identidade. Navegamos em um mercado onde os indivíduos são enredados por uma imagem idealizada de beleza, feminilidade e desejabilidade – um mercado que incansavelmente busca nos definir.
Exposição individual a decorrer de 7 de Novembro a 7 de Dezembro na Galeria Santa Maria Maior em Lisboa.
Mapping Thoughts: A Moment Through Disruption
Em “Mapping Thoughts”, mergulhamos no cativante mundo da disrupção não-narrativa, onde formas e contornos se entrelaçam, criando um plano fascinante que serve como um mapa para as complexidades de nossas contemplações mais íntimas.
Estas pinturas congelam fragmentos de um momento, capturando a encruzilhada entre a realidade e o subconsciente, todos meticulosamente traduzidos para a tela. Cada traço e matiz se torna um recipiente para encapsular a essência fugaz da percepção.
“Mapeando Pensamentos” serve como um playground, um santuário para fragmentos de pensamentos e emoções, buscando a serenidade em meio à cacofonia da existência. Em nosso mundo em constante evolução, onde a comunicação muitas vezes pode ser fugidia, essas obras perpetuam um momento disruptivo — um espaço onde a convergência da compreensão pode ou não ocorrer.
Através destas pinturas, moldamos a percepção, registrando a jornada rumo às profundezas do subconsciente, tornando tangível a consciência etérea que reside dentro de nós. Aqui, você encontrará o espaço que une sua visão da realidade e sua profunda realização dela — o momento, capturado em fractais, formas, sentimentos, pensamentos e cores — verdadeiramente, um mapa da consciência.
No cenário contemporâneo, onde os conceitos evoluem e as estruturas sociais e culturais são desafiadas por uma nova ordem mundial, “Mapeando Pensamentos” absorve a disrupção e os fragmentos dessa transformação e os molda em novas formas de linguagem, espaço e visão. Convida você a explorar os territórios inexplorados do pensamento, da emoção e da percepção.